Brasília mística

PasseioParanoá 031 Brasília vista da Ermida Dom Bosco, construída em 1962.  Local onde no sonho de Dom Bosco, em 1883, anteviu que entre os paralelos 15º e 20º estaria situada a capital brasileira.

Foto: Rinaldo Morelli.

 

É notadamente mística a veia da capital do Brasil. Do sonho de Dom Bosco, que via uma terra, exatamente em nossa localização geográfica, de onde jorraria leite e mel, ao ecletismo religioso que aqui impera, emerge essa Brasília, que é, por ela mesma, capital de todos os brasileiros e de todos os povos.

Quando o brasileiro Jean Charles morreu assassinado em Londres, no começo deste século, foi muito tocante ouvir uma passeata na cidade, em que os manifestantes gritavam, emocionados, diante da embaixada inglesa: “Jean, brasileiro: cidadão do mundo inteiro”… Porque é essa mesma aceitação plural que torna Brasília diferente, e, por que não dizer, mística.

O misticismo desta cidade está refletido em seus monumentos, em seus pórticos, no próprio traço que a originou. Em todas as quadras da cidade encontramos templos religiosos, filosóficos e até templos para reflexão que não refletem linha religiosa alguma, apenas traduzem a religiosidade, marca do povo brasileiro, que, de todas as formas, está representado na capital.

Na verdade Brasília não é uma terra comum.

De muito os espíritos nos contam que esta é a terra dos grandes e memoráveis encontros. Encontros esperados por espíritos que caminham pela Terra, em sucessivas e sucessivas reencarnações, há milênios. E que para cá acorrem, para esta capital tão especial, a se reencontrarem, para serem felizes ou para o ajuste de contas que não pode mais tardar em suas trajetórias.

E Brasília só conseguiu ser o que ela é porque, um dia, um homem visionário, Juscelino Kubitschek, teve a coragem de materializar esse projeto ambicioso, de trazer a capital para o centro do país.

Contam as histórias sobre a capital que, certa feita, ao traçar o marco onde estaria Brasília, naquele “centro do Planalto vazio”, como diz Oswaldo Montenegro, na canção “Leo e Bia”, Juscelino chamou alguns jornalistas para, num helicóptero da presidência, sobrevoarem onde seria construída essa Brasília que hoje abriga mais de dois milhões de pessoas.

E, contam, ali, sobrevoando o cerrado vermelho e a poeira, diante dos olhos faiscantes de emoção do presidente, uma jornalista, francesa interrogou-o, talvez se lembrando de que a capital sairia do Rio de Janeiro, que, por si só, também era uma linda cidade, e, como cidade, jamais deixou de ser bela:

– Mas, presidente, trazer a capital para esse deserto?…

E Juscelino, extasiado, apontava a todos a clareira onde se ergueria a nova capital…

E a jornalista:

– Presidente, a capital, nesse deserto, não será um absurdo?…

E nosso presidente, mais que inspirado pelas forças espirituais que o sustentaram até o fim, no cumprimento de sua missão, respondeu à jovem, sorrindo:

– Absurdo, querida, é o deserto…

A cidade, porquanto, mais que mística, não poderia ser menos mágica…

Por Mayse Braga

Website: http://www.maysebraga.com.br/ 

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