HOMOSSEXUALIDADE

homossexualidade

No dia 18 de maio de 2010 assisti no Programa Super Pop com Luciana Gimenez um debate sobre a Igreja Cristã Contemporânea, que é uma igreja evangélica que aceita todas as pessoas sem discriminação, em especial homossexuais.

De um lado dois representantes de outras igrejas evangélicas, do outro lado o casal homossexual gay que fundou a Igreja Cristã Contemporânea, ainda outros convidados. Houve momentos tensos, mas tudo correu de forma interessante.

Os pastores Marcos e Fábio, evangélicos e bravos lutadores, tentaram por muitos anos negar sua homossexualidade, pois como achavam e foram ensinados, isso era pecado, e que os homossexuais não serão “salvos”. Depois de muita luta interna, sacrifício e dor perceberam que ser gay não era pecado. E se Deus os fez assim é assim que eles precisam e devem viver, é dessa forma que serão “salvos”, não por serem gays, mas por amarem a Deus e fazerem sua parte na criação. Perceberam que para ser “salvo” não importa ser hetero ou homossexual, o importante é seguir as leis divinas.

E com esse ideal fundaram a igreja, mesmo com muita dificuldade.

Achei muito interessante o debate, pois deixa muito claro a posição religiosa sobre o assunto homossexualidade. Uma forma discriminatória e preconceituosa das religiões em geral.

Muito interessante que os pastores convidados das outras religiões dizem aceitar os homossexuais, mas eles não podem ser batizados, não podem casar na igreja, não podem ser “salvos”, eles só tem direito a assistir aos cultos e participarem como expectadores da religião. Não podem ser líderes religiosos, não podem ser pastores, não podem ser bispos ou ter qualquer cargo dentro da religião, pelo simples fatos de serem homossexuais.

No debate percebe-se a seguinte mensagem: Deus ama a todos inclusive os homossexuais, mas os homossexuais não poderão ser salvos por serem homossexuais, pois a homossexualidade não é de Deus, mesmo que as pessoas nasçam homossexuais. O entendimento é que a pessoa escolhe ser homossexual, não importa a idade, e que para ser “salva” ela precisa escolher ser heterossexual. Como se isso fosse possível.

Esse assunto é muito importante, e precisa urgentemente ser trabalhado na Doutrina Espírita, e principalmente, ser vivenciado na Casa Espírita. A Doutrina Espírita não prega a discriminação em nenhuma forma, e afirma categoricamente que a salvação vem pelo cumprimento das leis divinas, pela reforma íntima, pela caridade, pelo amor ao próximo; não importa se é hetero ou homossexual, se é pobre ou rico, analfabeto ou doutor.

Mas vemos frequentemente muitos dirigentes espíritas que pregam direitos iguais, mas não agem da mesma forma. Que acham importante ter homossexuais nas palestras e cursos, mas não lhes dão a oportunidade de ser um evangelizador, de ser um coordenador, de ser um dirigente espírita, de ser um palestrante espírita. Vemos o mesmo tratamento que as outras religiões e a sociedade dão aos homossexuais.

Já ouvi várias vezes que um homossexual em destaque pode influenciar as crianças e jovens a serem homossexuais. Pensamento carregado de muito preconceito e em desacordo com a orientação dos espíritos. Já vivenciei inclusive uma situação em que tínhamos um dos melhores instrutores de Doutrina Espírita que já conheci, mas que quando descobriram que ele era gay, acharam melhor tirá-lo do curso para evitar constrangimentos.

Esquecem que o homossexual não deseja que todos sejam homossexuais, não querem ensinar as crianças a serem homossexuais, não querem que o mundo seja homossexual, eles querem apenas o mesmo que todo mundo: ser feliz. E para isso é necessário ser aceito na sociedade de forma igual, pois ele é igual a todos nós. Ele deseja que o menino ou a menina encontre sua cara metade, seja homem ou mulher. Ele entende melhor que nós que o sentimento não deriva do gênero, mas do espírito (que não tem sexo), ele sabe que o amor é muito mais que o encontro da vagina com o pênis. O amor é respeito, é cuidado, é saudade, e ver o outro feliz, é viver com o outro, é dividir com o outro. E, quando dizemos que o homossexual é um pecador por ser homossexual, é o mesmo que dizer o heterossexual será “salvo” por ser heterossexual.

Não vou entrar no mérito do por que alguns nascem homossexuais e outros heterossexuais, mas existe um mito entre os espíritas que o homossexual no passado abusou e prejudicou outras pessoas usando sua beleza, sua sensualidade, sua sexualidade. Isso não é regra, alguns podem até ser por esse motivo, mas existem inúmeros outros motivos. Ele pode ter vindo com o mesmo gênero de sua cara-metade, pois nessa encarnação não era previsto ficarem juntos, mas o amor entre esses dois espíritos foi mais forte, e antes de serem homossexuais, eles se amam, independente do gênero, pois o amor está no espírito. Pode ser um missionário, que precisa quebrar barreiras em determinada comunidade ou família, e devido à pressão é necessário ter um espírito que possa suportar as dores e dificuldades sem desistir. Ou seja, ser homossexual não quer dizer ajuste de contas, mas uma nova oportunidade, seja de ajustar contas ou uma missão.

Voltando ao Centro Espírita. Não vemos muitos homossexuais, geralmente são discretos e muitos trabalhadores nem desconfiam que fulano ou beltrano são homossexuais. Um dos motivos é justamente pela discriminação que ainda existe.

E para isso acabar é necessário que os dirigentes comecem a prestar mais atenção nos trabalhadores e freqüentadores, e dar a oportunidade de trabalho de forma igual. O homossexual terá as mesmas dificuldades de qualquer outro médium, precisará ter o mesmo preparo, a mesma formação, a mesma atenção. Ele não precisa de tratamento especial, não precisa de cuidado especial. Deve ser cobrado da mesma forma, deve ser tratado igual aos outros trabalhadores.

Eles podem trabalhar na evangelização, na limpeza, na sopa, na Campanha de Fraternidade Auta de Souza, na recepção. Podem ser palestrantes, médiuns, coordenadores de atividades, instrutores, presidentes. Isso porque o que o habilita as essas atividades não é a sua sexualidade, mas a afinidade com o serviço e a preparação para a atividade escolhida.

O homossexual precisa sentir que pelo menos no Centro Espírita ele pode ser ele mesmo, pois não será julgado, não será “curado”. Ele será mais um trabalhador da seara espírita. Se for necessário chamar a atenção, se ele cometer um erro, se seus defeitos causarem alguma divergência, tenha em mente que tudo isso não é porque ele é homossexual, mas porque ele é um espírito imperfeito igual a você, com qualidades e defeitos, com sentimentos.

Tenha em mente que ser homossexual não é doença, castigo, pagar os erros do passado, que o homossexual não é diferente de você, heterossexual. Veja a pessoa, e não seu gênero. Faça-o perceber que acima de tudo ele é filho de Deus, e se Deus o fez reencarnar homossexual é porque há um motivo, e se Deus fez você reencarnar heterossexual há um motivo. Também não importa o motivo, você o saberá no momento oportuno. Apenas siga suas afinidades, seus sentimentos, suas intuições, siga as leis divinas, faça a caridade, e ame ao próximo com a si mesmo, assim Jesus nos amou sem distinção.

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