No jardim da vida

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[Fonte: Hypescience – Lowarth Helygen (Os Jardins Perdidos de Heligan), perto de Mevagissey, em Cornwall, Reino Unido]

Há alguns anos iniciei o aprendizado de cuidar de uma pequena horta e jardim, tarefa que exercita a paciência, perseverança, dedicação, desapego e convívio com a morte, pois nem sempre as plantas sobrevivem. Nesta empreitada tenho identificado a semelhança com a reforma íntima ou processo de auto conhecimento. Exemplifico: toda plantação tem pragas e são muito variadas, algumas sazonais e outras perenes. Para quem opta por cuidados que respeitem o meio ambiente, as pragas  demandam várias estratégias: algumas se controlam com infusões borrifadas, mas a maioria demanda a extração manual e constante. Algumas pragas deixam marcas que demoram muito tempo para serem superadas e outras consomem a planta sem que as vejamos e até a matam. Na vida as ervas daninhas são também variadas: raiva, impaciência, culpa, ressentimentos, mágoas, maledicência, ciúme, orgulho, medos, obstinações… E, semelhante ao trabalho no jardim, elas demandam identificação, sendo assim só conseguimos melhorar a maneira de ser quando nos conhecemos: nosso aspecto negativo não é para ser posto para “debaixo do tapete” e, sim, trazido à luz. A evolução processa-se em espiral ascendente. Quando conseguimos identificar uma imperfeição, conhecer sua origem e nos conscientizar dos efeitos em nós, ela não comandará nossas atitudes. É o primeiro passo para agir e não somente reagir. É um processo longo, não pode ser forçado, mas poderemos usar a determinação para olhar para dentro de nós. Semelhante aos cuidados constantes em um jardim, nós precisamos conhecer “as pragas” que mais incidem no nosso cotidiano, identificar os fatos que as desencadeiam, pois a vida trará pessoas e situações que nos desafiarão até que possamos nos conscientizar, prever e agir. Como plantas, às vezes ficamos mutilados emocionalmente e até morremos aos poucos, alimentamos mágoas e ressentimentos de pessoas e situações que nos corroem e atribuímos aos ofensores toda a responsabilidade e possibilidade de solução. O que queremos nesta encarnação? Conhecer as “pragas” e cuidadosamente trabalhá-las, com paciência e perseverança, ou permanecer iludidos ou “vítimas” do passado e do presente? Ao nascer, trouxemos tudo o que precisamos para nos melhorar, e os acontecimentos da vida reservam preciosas oportunidades de renovação interior.

 

Fernanda Ramos Martins – membro do GruDDE

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